Praça dos Girassóis — Palmas, TO

(63) 3213-3633

Artigos, Liturgia › 03/07/2019

Uma fé provada e testemunhada: aprendendo com São Tomé

Imagem: Internet

São Tomé, também chamado Dídimo (cf. Jo 20, 24) entrou para história como o apóstolo incrédulo. Muitos – fazendo alusão ao evangelho de sua festa litúrgica, celebrada neste 3 de julho – reforçam sua desconfiança com a frase “Sou como Tomé, só acredito vendo!” Porém, esse é um pensamento superficial acerca do que as Sagradas Escrituras falam sobre este santo. Se mergulhamos nas passagens bíblicas que citam Tomé diretamente, poderemos perceber quanta intimidade, ousadia e autenticidade o apóstolo possuía.

Em um determinado momento, em que Jesus anuncia que sua morte estaria próxima, e que iria preparar um lugar para os apóstolos, espontaneamente Tomé exclama: “Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho?” (Jo 14, 5). No qual, o Senhor respondeu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida!” Podemos dizer inclusive, que foi graças à esta dúvida de Tomé, que recebemos ensinamentos tão profundos e preciosos para fé.

A Bíblia ainda ressalta sua coragem e seu destemor quando Jesus decide ir a Betânia, ao saber da morte de Lázaro, e mesmo que houvesse o perigo de perseguição e morte – já que os judeus já tinham decidido matar Jesus – ele ergue a voz e diz: “Vamos nós também, para morrermos com Ele” (Jo 11, 16).

Aprendendo com São Tomé

Assim como tudo em nossa vida, a fé passa por um processo de nascimento e amadurecimento, provação e ressurreição. Em Tomé, vemos claramente esse caminho de maturação, a partir dos episódios que acabamos de narrar, assim como no momento célebre em que foi atestada sua fé.

Não podemos esquecer, que TODOS os apóstolos passaram por duras provações e tentações com a morte de Jesus na Cruz. O medo, a dúvida, a incredulidade tomou o coração de todos. Aos pés da Cruz só estavam Maria, mãe de Jesus, João, o discípulo amado, Maria Madalena e  Maria, mulher de Cléofas (cf. Jo 19, 25). Todos os outros fugiram, e certamente amarguraram sua incredulidade. Com Tomé não foi diferente.

Porém, no dia da Páscoa, Tomé não estava com os demais apóstolos na primeira aparição do Ressuscitado. Quando soube do ocorrido, certamente expressou aos seus companheiros sua falta de fé. Permaneceu em meio a dor e a incredulidade. O problema não era acreditar ou não na Ressurreição, mas na palavra de seus irmãos. Isso passa por dentro de muitos de nós, diariamente. Então, o apóstolo atestou que “Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei!” (Jo 20, 25).

Contudo, “oito dias depois”, narra o Evangelho, “estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: ‘A paz esteja convosco!'” (Jo 20, 26). Neste momento, percebemos que já não bastasse a incredulidade quanto a ressurreição, Jesus se coloca no meio dos discípulos com grande poder e glória. As portas estavam fechadas, e Ele surge comunicando a Paz, Ele que é a própria paz (cf. Ef 2, 14). O Senhor, em sua Misericórdia e amor, queria comunicar a Ressurreição de modo concreto, não só a Tomé, mas a todos os que com Ele, e depois Dele poderiam duvidar e disse: “Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé” (Jo 20, 27). Diante desse convite provocador, Tomé exclama uma das mais fortes, concretas e verdadeiras profissões de fé: “MEU SENHOR E MEU DEUS!” (Jo 20, 28).

Tomé passa da dúvida, da incredulidade, do medo, da frustração para fé provada e testemunhada: “MEU SENHOR E MEU DEUS!”. O Senhor nos permite, em meio aos desafios do nosso cotidiano, vivermos esse mesmo caminho.

Os católicos de Malabar, na Índia, cultuam São Tomé há dois mil anos. A Tradição local conservou a história de São Tomé como evangelizador daquelas terras. Conservam também a história de seu martírio através dos hindus, que o feriram mortalmente com lanças por causa do poder de sua pregação. Com efeito, a pregação de São Tomé converteu a muitos na região e nasceu ali uma fervorosa comunidade cristã que dura dois mil anos.

Nossa fé só amadurece na medida em que passa pela provação e se decide acreditar, mesmo sem ter visto. E nisso temos uma bem-aventurança: “Porque me viste, acreditaste. Felizes os que, sem terem visto, crerão” (cf. Jo 20, 29). Somos reconhecidamente felizes, por não vermos o Senhor, mas podermos tocar sua ação e seu projeto de amor por nós na vida da Igreja, no testemunho dos irmãos e na nossa espiritualidade. Renovemos nossa fé, e com São Tomé sejamos anunciadores de Jesus Cristo, nosso Salvador.

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.