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Sem categoria › 19/04/2018

ENTREVISTA EXCLUSIVA: Dom Pedro fala sobre a 56ª Assembleia Geral da CNBB

Imagem: Arcebispo de Palmas na 56ª AG dos bispos em Aparecida-SP/ Foto: Rede Social de dom Pedro

A 56ª Assembleia Geral (AG) dos bispos do Brasil chega ao seu fim nesta sexta-feira (20). Foram quase 10 dias de reunião no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, na cidade de Aparecida (SP), e contou com a presença de cerca de 450 bispos de todas as dioceses do país.

A Assembleia Geral da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, é uma das reuniões episcopais mais expressivas da Igreja em número de membros, o que torna seu acontecimento ainda mais importante para a fé católica. Em 2018 teve como tema “Diretrizes para a Formação de Presbíteros”, e aconteceu entre os dias 11 e 20 de abril.

Dom Pedro Brito Guimarães, arcebispo de Palmas, esteve presente juntamente com todos os bispos do estado do Tocantins, que juntos compreendem o Regional Norte 3 da CNBB. Dom Pedro, ainda enquanto estava em Aparecida, concedeu uma entrevista exclusiva ao repórter Heraldo Lima, assessor de comunicação da Catedral de Palmas, tratando temas como a formação dos sacerdotes, o ano do Laicato, realizado pela Igreja do Brasil em 2018 pra reforçar a importância dos leigos, o Sínodo dos jovens, que acontecerá em Roma, no mês de outubro, além do clima que predominou entre os bispos na AG, e as polêmicas que envolveram a CNBB no último ano. Confira a entrevista completa.

CATEDRAL DE PALMAS: O tema central da AG são as diretrizes gerais da formação dos sacerdotes brasileiros. Nós sabemos que desde sua chegada em Palmas, essa tem sido uma preocupação constante e dedicada do seu pastoreio. Como o senhor vê a formação dos sacerdotes?

DOM PEDRO: Eu tenho 32 anos de ordenação presbiteral e a metade destes 32 anos, 16 anos, eu passei no seminário como formador. Independentemente da minha missão, o bispo é um formador por excelência. O seminário é o coração da diocese. É uma das preocupações constantes do bispo. Tudo que eu posso fazer, dizer, contribuir, eu faço com muito amor porque realmente é uma das nossas missões: a condição da formação dos futuros padres

Imagem: 56ª AG dos bispos do Brasil/ Imagem: Rede Social da CNBB

CATEDRAL DE PALMAS: Quanto à formação permanente dos presbíteros. Os leigos podem colaborar estando próximos aos seus sacerdotes?

DOM PEDRO: A Igreja não é presbiteral, não é uma casa sacerdotal. A Igreja na sua essência, na sua base, é leiga. São os leigos que assumem toda missão, e eles estão também na formação presbiteral. Quem paga nosso salário, quem ajuda na formação dos seminaristas são os leigos, são as coletas, são as ajudas que eles dão que a gente repassa pra formação. Não só na linha financeira, mas o leigo pode ser um professor, bons professores leigos, nas linhas das humanas, da filosofia, da teologia, da psicologia. Os leigos são chamados a ajudar no acompanhamento psicológico de seminaristas. O acompanhamento é uma das formações importantes da dimensão psicológica dos seminaristas, através do conhecimento do psicólogo ou da psicóloga leigos também. Afirmo ainda que a mulher é fundamental na formação dos seminaristas. Exige-se também que na equipe se tenha mulheres para dar o equilíbrio. Nós pensamos muito isso nas diretrizes porque faz parte da preocupação da igreja: quanto mais os leigos ajudam, os padres exercem melhor a sua missão também a partir da formação.

CATEDRAL DE PALMAS: Na AG também foram abordados o Ano do laicato e o Sínodo dos jovens. Como os bispos do Brasil tem discutido a cerca desses dois públicos: leigos e jovens?

DOM PEDRO: Esse ano foi deferido o ano do laicato. Veja que importância a Igreja dá aos leigos. E com um tema bíblico de grande significado: O leigo é o sal da terra e luz do mundo. Nesse sentido, nós destacamos nesse ano do laicato a presença da Igreja junto aos leigos. Esses dias mesmo nós estamos votando nos delegados que vão para o Sínodo dos jovens, serão quatro escolhidos pela conferência. E nós temos dito: é importante ocupar essa nova geração, envolver a juventude, porque se nós temos uma juventude hoje formada nas igrejas, nas categorias da Igreja, evangelizadas, nós certamente teremos leigos mais comprometidos e participantes da vida da Igreja. Na igreja de Palmas vemos muitos jovens cantando, rezando, fazendo leituras. São essas forças vivas que a gente tem que contar muito. Então essa coincidência foi muito bonita e muito eficaz, a gente ter o Laicato e os jovens como tema e como prioridade pra dar um equilíbrio. Não podemos esquecer que os jovens são os mais pobres, os jovens são os que mais sofrem violência, que são discriminados, que são vítimas do alcoolismo, da prostituição, da delinquência. Então, cuidando dessa fase, se cuidarmos bem do Laicato, quem cuida bem do jovem, cuida da família também, cuida da educação, luta contra violência, a favor da saúde, e a favor do futuro da humanidade.

Imagem: Dom Pedro co-celebrando a santa Missa junto aos demais bispos do Brasil na 56ª AG da CNBB/ Foto: Rede social de dom Pedro

CATEDRAL DE PALMAS: Os bispos discutiram a cerca da imagem da CNBB junto aos fiéis, sobretudo, depois do escândalo envolvendo a diocese de Formosa-GO?

DOM PEDRO: Não há nada que aconteça com a Igreja no Brasil que a gente não traga para a AG. Aqueles que são responsáveis explicam e as pessoas escutam. Nós ouvimos com muita atenção a situação de Formosa. Se tem a informação passada pelas grandes mídias, pelas redes sociais, mas fundamentalmente não é a verdade toda que está ali. Evidentemente que houve uma precipitação, houve alguns erros na condução, mas o enredo todo foi muito armado. O Ministério Público que prendeu o bispo, padres, usaram um conhecimento que nós questionamos. Dom José não é chefe de quadrilha. A prelazia não tem 160 e outros tantos carros hoje. Ela tem 160 e tantos carros desde que ela foi criada. Ela foi criada na década de 60 quando ainda era prelazia. Hoje ela tem 49 carros para atender as paróquias. Às vezes as verdades não são colocadas dessa forma. Então a AG foi muito esclarecedora neste ponto.

CATEDRAL DE PALMAS: Os bispos enviaram uma carta ao papa Francisco. Qual a importância de enviar uma carta ao santo padre durante uma Assembleia Geral? Como os bispos veem o olhar do santo padre para este momento da Igreja no Brasil?

DOM PEDRO: Todos os anos nós mandamos uma carta agradecendo as orações e dizendo que estamos em comunhão com o papa. Fundamentalmente, é isso que a gente diz. Colocamos as situações que estamos vivendo para que ele saiba, e na verdade, ele já sabe de tudo, a gente só confirma, e depois ele nos responde essa carta. Essa carta está ai nas redes sociais. Basta que depois vocês vejam. Depois que o papa recebe ela é divulgada. É uma carta de cordialidade, de comunhão com o santo padre e de unidade da nossa Igreja. As pessoas pensam aí fora que nós somos desunidos. Nós somos tão amigos. Não existe uma palavra má, não tem uma pessoa que levante a voz contra a outra. Não há um desafio contra o outro porque nós somos irmãos. Todo mundo se conhece, se abraça, conversam. Temos momento de partilha de vida. É uma delicadeza uns com os outros e a gente expressa isso ao papa e diz pra ele que estamos em comunhão e pedimos orações pra que ele conviva conosco. Falamos das situações que vivemos no Brasil, falamos das dificuldades que nós enfrentamos, as denúncias que fazem, as perseguições, a violência, pra de fato ele fique sabendo o que nós estamos pensando e o que nós estamos tratando aqui também, qual é a pauta da reunião, o que nós estamos fazendo aqui. Nós somos o maior episcopado do mundo. Uma assembleia como essa não acontece em outros lugares. O Paraguai tem 40 bispos, o Uruguai deve ter 20, a Argentina não tem nem 50 bispos, nós somos mais de 400 bispos, imagina, é uma Conferência que tem um peso muito grande.

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