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Notícias › 13/05/2021

Terra Santa. Pe. Faltas: “o coração do conflito, como sempre, é Jerusalém

“Já vimos isso e dissemos cem vezes: quando se toca Jerusalém, a violência e a dor se espalham fatalmente, arrastando todos. O coração do conflito, como sempre, é a Cidade Santa. E como reconhecia São João Paulo II, enquanto não houver paz em Jerusalém, não haverá paz no resto do mundo”.

Foi o que disse à Fides o sacerdote franciscano da Custódia da Terra Santa, padre Ibrahim Faltas, recordando o misterioso vínculo que liga o destino de Jerusalém ao destino da paz no mundo inteiro.

Do coração da Cidade Velha, o frade egípcio acompanha com apreensão marcada por uma sombra de resignação a nova onda de violência que se espalha na Terra Santa e corre o risco de inflamar todo o Oriente Médio.

Conflito palestino-israelense de 2002

Padre Ibrahim sempre acompanhou de perto as difíceis fases do conflito palestino-israelense e, em 2002, esteve pessoalmente envolvido no caso do cerco armado pelo exército israelense à Basílica da Natividade em Belém, onde os militantes palestinos se refugiaram.

O franciscano, que também esteve presente na Basílica sitiada, deu uma contribuição significativa como mediador das negociações que levaram ao fim do cerco sem derramamento de sangue.

Com sua longa experiência, ele aprendeu a entender os sinais que anunciam novas tempestades: “Há um mês – observou o franciscano – se verificavam iniciativas e eventos destinados a aumentar a tensão em torno de Jerusalém. Era previsível que a situação se agravasse”.

“A gravidade do conflito em curso não se via há muito tempo: a violência e os confrontos se espalham não apenas nos Territórios Palestinos, mas também em Jaffa, Ramla, Haifa, Akko. Lod…”

Escalada do conflito atual

A escalada do conflito, marcada pelo lançamento de foguetes pelo Hamas sobre o território israelense e por represálias militares israelenses contra a Faixa de Gaza, corre o risco de assumir amplidão e desdobramentos imprevisíveis. Mas a raiz – insiste o padre Ibrahim – é facilmente reconhecível, e é sempre a mesma:

“Nestes dias eu tinha em minhas mãos um livro de 1986, que descrevia situações e fatos que são os mesmos de hoje: os confrontos na Porta de Damasco, as incursões militares na Esplanada das Mesquitas… Toca-se o nervo sensível, quando se quer explodir tudo. E aqui todos sabem que a chave para a paz e a guerra é Jerusalém.”

Por esta razão – acrescenta o padre da Custódia da Terra Santa -, qualquer tentativa autêntica de desfazer os nós do conflito deve começar com o reconhecimento da natureza única e incomparável da Cidade Santa.

Jerusalém não é uma cidade como as outras

“Jerusalém – enfatiza o religioso – não é uma cidade como as outras. Não é cidade-irmã de nenhum outro centro urbano, porque por definição não há, não pode ter cidades ‘gêmeas’. E jamais poderá ser uma cidade pertencente a uma única parte, a um único Estado, a um único grupo religioso.”

“Todas as tentativas de eliminar os fatores de sua identidade plural através da política dos fatos consumados, realizadas mesmo brutalmente, desfiguram-na e estão, de qualquer forma, condenadas ao fracasso.”

“Jerusalém é a cidade-mãe de todos; estará para sempre no coração das três comunidades de fé abraâmicas. E a única maneira de resolver os problemas será tratar com elas à mesa de negociações, sem remover nada, e com o necessário envolvimento da comunidade internacional, que não pode continuar ausente e a olhar para o outro lado cada vez que a violência explode em Jerusalém e de lá se propaga pelo mundo.”

 

Fonte: VaticanNews

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